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Pessimismo aumenta e analistas estimam crescimento menor até 2013  

Segundo relatório Focus, PIB deve crescer somente 2,53% este ano e 4,30% em 2013
Fernando Nakagawa e Patricia Lara, da Agência Estado

O corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, que passou de 9% para 8,50% no dia 30 de maio após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não deu confiança aos analistas sobre o ritmo da economia brasileira no próximo ano. Ao contrário, a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, mostrou que os analistas revisaram em baixa também a previsão de crescimento da economia para 2013, que passou de 4,50% para 4,30%.

O prognóstico volta agora ao patamar previsto na pesquisa divulgada no dia 14 de maio, quando os analistas projetavam expansão de 4,30% para 2013. Na pesquisa subsequente, no dia 21 de maio, os analistas mostravam-se mais otimismo e elevaram o prognóstico para o ritmo da economia local de 4,30% para 4,50% em 2013.

Economia em 2012

O mercado financeiro reduziu pela quinta semana consecutiva a aposta de crescimento da economia brasileira em 2012 e já prevê que a expansão neste ano será menor que a observada em 2011. A previsão dos analistas para a expansão do PIB em 2012 recuou de 2,72% para 2,53%. A nova previsão, portanto, é de que a economia crescerá menos que os 2,7% do ano passado. Quatro semanas atrás, a projeção era maior, de crescimento de 3,20%.

Uma das principais causas do pessimismo com a economia é a indústria. Entre os analistas, a estimativa de crescimento do setor em 2012 caiu de 1,15% para 1%. Para 2013, economistas preveem recuperação. Ainda assim, a estimativa de avanço industrial piorou de 4,25% para 4,20%. Um mês antes, a pesquisa apontava cenário com crescimento industrial de 1,94% neste ano e de 3,95% no próximo ano.

Analistas mantiveram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012 em 35,85%. Para 2013, a projeção seguiu em 34,25%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 36% e 34,6% do PIB para cada um dos dois anos.

IPCA

O mercado financeiro reduziu mais uma vez a projeção de alta do IPCA em 2012. Nesta semana, a mediana das expectativas recuou de 5,15% para 5,03%. Há quatro semanas, a estimativa para a inflação oficial era de 5,22%. Para 2013, a projeção manteve-se em 5,60% pela terceira semana seguida. Há um mês, estava em 5,53%.

A projeção de alta da inflação para os próximos 12 meses, por sua vez, manteve-se em 5,50%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,53%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo caiu de 5,24% para 5,02%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas recuou de 5,85% para 5,50%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 5,22% e 5,80% para cada ano, respectivamente.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA em junho de 2012 recuou de 0,25% para 0,23%, abaixo do 0,28% estimado há um mês. Para julho, a previsão seguiu em 0,20%, ante 0,23% de quatro semanas atrás.

Selic segue em 8%

Boa parte do mercado financeiro não alterou suas estimativas para o patamar do juro. Por enquanto, prevalece a aposta de que o juro básico da economia, a Selic, deve terminar o ano em 8%. Porém, o grupo dos analistas que mais acertam as estimativas no levantamento do BC, o chamado Top 5, já prevê taxa menor no fim do ano.

Entre todos os analistas, a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic no fim de 2012 seguiu em 8% ao ano pela quarta semana consecutiva. De acordo com esse prognóstico, a Selic cairia apenas mais uma vez, 0,50 ponto porcentual, na reunião de julho. Essa estimativa, porém, pode ser revisada diante de uma ata que deixa aberta a possibilidade de cortes adicionais. Além disso, o documento foi divulgado na sexta passada, entre um feriado e o fim de semana. No chamado Top 5, essa revisão de cenário pós ata parece ter começado. No grupo, a previsão para o juro no fim do ano no cenário de médio prazo caiu de 8% para 7,75%.

Para 2013, entre todos os analistas ouvidos, prevalece a previsão de que a taxa de juro voltaria a subir, mas com uma alta menor que a prevista na semana passada. A mediana das estimativas para a Selic no fim do próximo ano caiu de 9,38% para 9%, na segunda queda seguida. Há um mês, estava em 9,75%. No chamado Top 5, a previsão é a mesma: juro de 9% no fim de 2013.

A pesquisa mostra ainda manutenção das expectativas para o juro médio neste ano em 8,72% pela terceira semana consecutiva. Para 2013, foi reduzida a previsão de Selic média de 8,75% para 8,50%. Quatro pesquisas antes, analistas esperavam juro médio de 8,75% em 2012 e de 9,46% no ano que vem.

IGP-DI

As projeções para os IGPs em 2012 voltaram a subir na pesquisa Focus. O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) neste ano avançou de 5,84% para 5,95%, na nona alta consecutiva. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que corrige a maioria dos contratos de aluguel, a expectativa subiu de 5,66% para 5,70%. Quatro semanas atrás, o mercado previa altas de 5,57% para o IGP-DI e de 5,42% para o IGP-M em 2012.

Para 2013, porém, as previsões não foram alteradas. A estimativa de alta para o IGP-DI seguiu em 4,90% pela décima semana seguida. Para o IGP-M, a expectativa manteve-se em 5% pela sexta pesquisa consecutiva.

A pesquisa também mostrou que a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2012 caiu de 4,62% para 4,52%. Há um mês, a expectativa dos analistas era de alta de 4,55% para o índice que mede a inflação ao consumidor em São Paulo. Para 2013, a mediana das estimativas para o IPC da Fipe manteve-se em 5%, acima dos 4,96% de um mês atrás.

Economistas mantiveram ainda a estimativa para o aumento do conjunto dos preços administrados - as tarifas públicas - em 2012 em 3,60%. Para 2013, a previsão de alta dos preços administrados seguiu em 4,50% pela 122ª pesquisa consecutiva.

Câmbio segue em R$ 1,90

O mercado financeiro mantém a previsão de que o dólar deverá recuar para cotações abaixo de R$ 2. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das estimativas para o preço da moeda estrangeira no fim de 2012 seguiu em R$ 1,90. Para o fim de 2013, a previsão subiu de R$ 1,87 para R$ 1,88. Há um mês, analistas previam cotação de R$ 1,85 no fim deste ano e também no próximo.

Na mesma pesquisa, economistas mantiveram a previsão de taxa média de câmbio de R$ 1,90 em 2012. Para 2013, a estimativa aumentou em um centavo, de R$ 1,85 para R$ 1,86. Quatro semanas atrás, a pesquisa apontava que a expectativa para o dólar médio estava em R$ 1,83 em 2012 e em R$ 1,82 no próximo ano.

Déficit em conta corrente

O mercado financeiro reduziu a previsão de déficit em transações correntes do Brasil neste ano. A mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente em 2012 caiu de US$ 68 bilhões para US$ 65,9 bilhões. Há um mês, estava em US$ 68,2 bilhões.

Para 2013, a previsão de déficit nas contas externas foi no sentido contrário e aumentou de US$ 72 bilhões para US$ 72,28 bilhões. Quatro semanas antes, os analistas esperavam déficit em transações correntes de US$ 73,5 bilhões no próximo ano.

Na mesma pesquisa, economistas mantiveram a estimativa de superávit comercial em 2012 e em 2013, respectivamente, em US$ 20 bilhões e US$ 15 bilhões. Nos dois casos, o número é repetido pela terceira semana seguida.

O levantamento mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, aumentaram de US$ 55,05 bilhões para US$ 55,10 bilhões em 2012. Para 2013, a expectativa de ingresso de IED passou de US$ 59 bilhões para US$ 59,4 bilhões. Há um mês, analistas esperavam entrada de US$ 55,74 bilhões em 2012 e US$ 57,05 bilhões em 2013.